
Setembro Amarelo
O mês de combate ao suicídio
Em Setembro utilizamos o amarelo para colorir o movimento mundial em prol da conscientização dos cidadãos sobre a realidade do suicídio e mostrar que existe prevenção em grande parte dos casos. O dia 10 do mês de Setembro representa o dia mundial de prevenção ao suicídio, a data foi criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e é endossada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A proposta busca a conscientização acerca do assunto os governos e a sociedade civil ao estimular o debate sobre a temática.
De acordo com o psiquiatra Leonardo Rodrigues da Cruz: "O suicídio é um uma realidade que gera grandes prejuízos individuais e sociais. Quase a totalidade dos casos está associada a algum transtorno mental, indicando que a correta intervenção poderia evitar grande parte dessas perdas".
A OMS estima que mais de 700 mil pessoas morrem por auto extermínio anualmente no mundo, sendo a quarta maior causa de óbitos entre jovens de 15 a 29 anos de idade. No Brasil são, em média, 14 mil suicídios por ano — cerca de 38 pessoas tiram a própria vida, por dia, no país. As taxas chegam a serem superiores às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.
Apesar dos números alarmantes, o assunto ainda é tratado como tabu. Um dos pontos que corrobora para o aumento dos casos é a falta de incentivo ao diálogo, pois as pessoas muitas vezes não sabem como podem procurar ajuda.
Dados do Ministério da Saúde mostram que entre 2010 e 2019, 112.230 pessoas morreram por suicídio. Houve um aumento de 43% no número anual de mortes, passando de 9.454 em 2010, para 13.523 em 2019. A taxa de violência autoprovocada entre os homens, em 2019, foi de 10,7 por 100 mil habitantes. Entre as mulheres, o índice ficou em 2,9 por 100 mil. Sendo assim, é possível concluir que homens apresentaram um risco 3,8 vezes maior de morte por suicídio em comparação com a população feminina.
Mundialmente ocorre a diminuição gradativa dos índices, entretanto, os países das Américas vão na contramão dessa tendência, com números que não param de aumentar. Sendo assim, a maioria dos casos poderia ter sido evitada se esses indivíduos tivessem tido a oportunidade de acessar um tratamento psiquiátrico e informações de qualidade. Todos nós devemos atuar ativamente na conscientização da importância que a vida tem e ajudar na prevenção do suicídio, tema que ainda é visto como tabu. É relevante dialogar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda e entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha.
Sinais de alerta
- Mudanças de comportamento
O indivíduo deixa, de forma repentina, de fazer atividades diárias e muda seu comportamento. Geralmente deixa de ter convívio social e permanece grande parte do tempo em casa.
- Isolamento
Pessoas deprimidas passam mais tempo sozinhas, isoladas em casa, geralmente conectadas à internet sem se relacionar com ninguém na vida real.
- Histórico
Se o sujeito possui histórico de transtornos, como depressão, ansiedade e bipolaridade, no passado, o cuidado deve ser redobrado em decorrência de recaídas.
- Oscilação de humor
A mudança de humor é uma das características da pessoa deprimida. Em alguns momentos ela pode estar aparentemente feliz durante um período e depois apresentar sinais de tristeza.
- Falta de vontade de viver
É comum que as pessoas deixem de realizar atividades rotineiras como tomar banho, estudar ou trabalhar, e além disso, dizer frases como "eu preferia estar morto", "eu não aguento mais", "eu sou um perdedor e um peso para os outros” e "os outros vão ser mais felizes sem mim". Neste cenário, e nos outros supracitados, é indispensável o aconselhamento e acompanhamento dessa pessoa e o encaminhamento dela para uma assistência profissional.
Outro passo importante para a conscientização é acabar com falas preconceituosas comumente conhecidas na população, como:
“Quem fala, não faz” - Não é verdade. Muitas vezes, a pessoa que diz que vai se matar não quer "chamar a atenção", mas apenas dar um último sinal para pedir ajuda. Por isso, os especialistas pedem que um aviso de suicídio seja levado a sério.
“Não se deve perguntar se a pessoa vai se matar” - É importante, caso a pessoa esteja com sintomas da depressão, ter uma conversa para entender o que se passa e ajudar. Não tocar no assunto só piora a situação.
“Só os depressivos clássicos se matam” - Não. Existe o depressivo mais conhecido, aquele que fica deitado na cama e não consegue levantar. Mas outras reações podem ser previsões de um comportamento suicida, como alta agressividade e nível extremo de impulsividade. Os médicos, inclusive, pedem para a família ficar atenta ao momento em que um depressivo sem tratamento diz estar bem: muitas vezes ele pode já ter decidido se matar e tem o assunto como resolvido.
“Quando a pessoa tenta uma vez, tenta sempre” - A maior parte dos pacientes que levam a sério o tratamento com medicamentos e terapia não chegam a tentar se matar uma segunda vez. O importante é buscar ajuda.
Como a população pode ajudar a prevenir casos de suicídio?
- Mantenha diálogo com a pessoa
Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para conversar.
- Acompanhamento
Fique em contato para acompanhar como a pessoa está se sentindo e o que está fazendo.
- Buscar ajuda profissional
Incentive a pessoa a procurar ajuda e faça companhia a um atendimento.
- Proteger
Se há perigo imediato, não a deixe sozinha e assegure-se de que a pessoa não tenha acesso a meios para provocar a própria morte.
O diálogo é a melhor opção
O Centro de Valorização da Vida (CVV), fundado em São Paulo, em 1962, é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal, desde 1973. Presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.
Os contatos com o CVV são feitos pelos telefones 188 (24 horas e sem custo de ligação), pessoalmente (nos mais de 120 postos de atendimento) ou pelo site <www.cvv.org.br>, por chat e e-mail.
Nestes canais, são realizados mais de 3 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 4000 voluntários, localizados em 24 estados mais o Distrito Federal.
Em caso de emergência ligue SAMU 192 ou se encaminhe para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), hospital ou pronto socorro mais próximo.
REFERÊNCIAS
A campanha Setembro Amarelo® salva vidas!. Setembro amarelo, 2022. Disponível em: <https://www.setembroamarelo.com/> Acesso em: 05 de Setembro de 2022.
CINTRA, C. Setembro Amarelo: entenda como surgiu a campanha para prevenir suicídios. G1 - Globo, 2022. Disponível em: <https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2022/09/04/setembro-amarelo-entenda-como-surgiu-a-campanha-para-prevenir-suicidios.ghtml> Acesso em: 05 de Setembro de 2022.
MOVIMENTO MUNDIAL SETEMBRO AMARELO ESTIMULA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO, Centro de Valorização da Vida. <https://www.cvv.org.br/blog/movimento-mundial-setembro-amarelo-estimula-prevencao-do-suicidio/#:~:text=Por%20essa%20raz%C3%A3o%2C%20o%20CVV,no%20Brasil%2C%20chamado%20Setembro%20Amarelo.> Acesso em: 05 de Setembro de 2022.
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